Sendo besta


Em algum momento da sua vida você já ouviu um “Deixa de ser besta.” É inevitável. Mas há duas situações em que essa frase é dita. Na primeira, ela funciona como um “Bom dia”, querendo abrir os seus olhos. Já a outra, como um pseudoconselho: “Não vai dar certo”. Vou me ater à segunda situação.


Quando estamos na luta pelos nossos sonhos, a gente, que não tem experiência nenhuma, vai testando, tentando, buscando caminhos para chegar lá. Nesses percursos, encontramos parceiros que dão um empurrãozinho na hora do cansaço e os pés avançam mais alguns passos. Outra pessoa, então, surge. Você ergue a mão para receber aquele puxãozinho camarada, mas a mão alheia, encosta no seu ombro, interrompendo a passagem.


“Deixa de ser besta”.


É mais ou menos isso que entra pelos ouvidos. Você está suado, cansado, com fome, sede, magro, olheiras, desgastado... E aí? Já chegou lá?


Evidentemente que não. E nossa cabeça sabe disso. Mas pra que mais muro, pedra ou galho? Não bastam os inevitáveis de todo percurso. É preciso que um evitável se mova e venha tocar com força na mancha roxa para ver se certificar que dói. Em nós.


Aprendi a vencer os obstáculos. O primeiro deles foi aceitando que sim, estou sendo besta e vou ser um burro, jegue ou jumento se for necessário para atingir a linha de chegada. Baixarei as orelhas tal qual o Bisonho. E seguirei.


E guardarei meu sorriso para o momento certo. A alegria acompanha os que se movimentam e pisca na hora que os sonhos se materializam em forma, cheiro e verdade. É a foto da vitória com a fita caindo.


O corpo, sobretudo os pés e os ouvidos, estão cheios de marcas. Mas valeu cada corte, tropeço, machucado, ferimento e se ter fingido de surdo.


Melhor ser uma besta que anda a uma mula empacada.


Imagem: http://pt.freeimages.com/photo/beast-of-burden-1453306

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